Dar Visibilidade à Invisi.BI.lidade II
A Exposição “Dar Visibilidade à Invisi.BI.lidade” foi inaugurada em 2024, no Centro LGBTI+ de Lisboa.
Pretendeu-se com a mesma homenagear as pessoas que criaram o dia da Visibilidade Bissexual e a Bandeira Bi, a mãe do Pride (ativista bissexual que organizou a 1.ª Marcha LGBT de 1970, um ano após a Revolta de Stonewall), o Manifesto Bissexual de 1990 (em que, já nesta data, ativistas bis nos lembravam que não existem apenas dois géneros e que a bissexualidade pode abarcar todes), bem como outras figuras histórias, celebridades e todas as pessoas bissexuais no geral.
A exposição é composta por 5 quadros com texto informativo:
- Tutorial para começar o Dia da Celebração Bissexual
- 23 de Setembro: Da Celebração à Visibilidade
- Bandeira Bissexual
- Brenda Howard: “A mãe do Pride”
- Manifesto Bissexual
Sendo os restantes quadros, inicialmente, fotografias e respetivos nomes de celebridades e figuras históricas bissexuais. Este ano, a estes quadros juntam-se fotografias e arte enviadas através da open call do podcast Bialogar.
Agradecemos a todas as pessoas que participaram na open call e a todos os coletivos e pessoas que contribuíram para que esta exposição chegasse a este espaço.
Parceria CDOC/ILGA Portugal, BiFest e Bialogar
+ Coletivos e espaços que recebem a exposição
Tutorial para começar o Dia da Celebração Bissexual

De que falamos quando falamos em Visibilidade?
Será que as pessoas Bissexuais que criaram o Dia da Visibilidade Bissexual se tornaram visíveis? Sabemos quem são? Comecemos por estes nomes, então: Wendy Curry, Michael Page e Gigi Raven Wilbur.
Três ativistas pelos direitos Bissexuais dos EUA, que em 1999, a meio de uma conferência anual sobre Bissexualidade, conversavam entre si. Conta-nos esta história Wendy Curry (em Our Fence with Wendy Curry By Br. Michael C. Oboza (ret.)), que nos diz que, a meio da conversa, Gigi Wilbur propõe que se faça uma festa. Para quando? Setembro. Por ser o mês de aniversário de Freddie Mercury, Bissexual que adoravam. Em que dia? Dia de fim de semana, para vir mais gente.
Por acaso o aniversário de Gigi Wilbur é a 23 de setembro e calhava perto do fim de semana. E assim se escolheu o Dia da Celebração Bissexual, a que agora também chamamos de Dia da Visibilidade Bissexual.
Portanto, os fatores aqui presentes foram: convívio e uma rede de apoio com que possamos conversar, desabafar, trocar ideias (neste caso, três pessoas amigas, fartas da invisibilidade e políticas de exclusão que decidiram simplesmente celebrar-se e pôr mãos à obra); alguém visível, que nos inspire (neste caso, estavam numa conferência sobre Bissexualidade, propícia a novas ideias de visibilidade, e a visibilidade de Freddie Mercury também serviu de inspiração para o mês escolhido); rede de contactos/associativismo (Wendy, Michael e Gigi já eram ativistas em organizações como a BiNet USA); e efetivamente pôr mãos à obra, a fim de angariar espaços e pessoas que concretizem a celebração.
Que as pessoas Bissexuais de Portugal se inspirem em Wendy Curry, Michael Page e Gigi Raven Wilbur para também se celebrarem e tornarem visíveis e organizarem eventos por este país fora!
23 de Setembro: Da Celebração à Visibilidade

Existem várias denominações para nos referirmos ao dia 23 de setembro, nomeadamente, a primeira versão, “Dia da Celebração Bissexual”, “Dia do Orgulho Bissexual” e, o atualmente mais utilizado “Dia da Visibilidade Bissexual”.
A alteração de Celebração para Visibilidade Bissexual foi cunhada pela ativista Jen Yockney, do Reino Unido.
Tudo começou em 2001, com a criação do seu site “bivisibilityday.com”, que visava compilar e promover os eventos de celebração e visibilidade Bissexual realizados anualmente no Reino Unido. Mas explorando o seu blog, percebemos que foi em 2009, numa publicação de 28 de setembro deste ano, que a internet começou a adotar efetivamente o nome de “Bi Visibility Day”, acabando por se espalhar pela Europa e resto do mundo.
Em Portugal, o primeiro ano em que há um registo visível da celebração do Dia da Visibilidade Bissexual, encontrado no portal de notícias LGBTI+ “dezanove”, é em 2011, assinalado com um vídeo de sensibilização para a bifobia, da rede ex aequo, que também organizou uma festa no Centro LGBTI+, na altura, em São Lázaro.
Bandeira Bissexual

A Bandeira Bi foi criada pelo ativista Michael Page, em 1998, com o propósito de trazer visibilidade às pessoas Bissexuais, fora e dentro da comunidade LGBT+.
Page, conta-nos no seu artigo “History of The Pride Flag”, no antigo site “biflag.com”, que as cores da bandeira partiram do já existente símbolo Bi dos triângulos invertidos.

A cor rosa representa atração pelo mesmo género (Gay, Lésbica), a cor azul representa atração pelo género oposto (Hétero) e a sobreposição que resulta na cor roxa representa atração por múltiplos géneros (Bi).
Para Michael, a chave para entendermos o simbolismo da Bandeira Bi é saber que os pixels da cor roxa se misturam impercetivelmente com o rosa e o azul, tal como a comunidade Bissexual se mistura impercetivelmente com as comunidades Gay/Lésbica e Heterossexual.
Brenda Howard: a “Mãe do Pride”

Sabiam que a 1.ª Marcha do Orgulho LGBTI+ foi organizada por uma ativista Bissexual?
Brenda Howard, ativista Bissexual em várias frentes – movimento contra a guerra no Vietname, movimentos feministas, movimentos LGBT+ -, é a principal figura por detrás da organização da 1.ª Marcha do Orgulho.
Esta 1.ª Marcha do Orgulho, chamada de “The Christopher Street Liberation Day March”, foi organizada por Brenda, em comemoração do aniversário da Revolta de Stonewall. O termo “Pride” (Orgulho) para descrever estes eventos foi popularizado por Brenda Howard, Robert A. Martin e L. Craig Schoonmaler. Howard também foi pioneira em organizar uma semana de eventos à volta do dia do orgulho.
Graças a este marco, outras cidades, países e continentes, eventualmente, começaram a seguir o exemplo, que culminou nas inúmeras Marchas do Orgulho que temos hoje.
Apesar das pessoas Bissexuais estarem, desde sempre, ligadas aos movimentos LGBTI+, inicialmente falava-se apenas de “Movimento Gay e Lésbico” e de “Marchas pela Liberação Gay e Lésbica”. Graças a Brenda Howard, e demais ativistas bissexuais, a Marcha do Orgulho de Washington de 1993 passou a incluir, pela primeira vez, pessoas Bissexuais no nome: “March on Washington for Lesbian, Gay and Bi Equal Rights and Liberation”.
Brenda Howard foi ativista, entre outras causas, nas organizações Gay Liberation Front, Gay Activists Alliance, BiNet USA, Act Up, Queer Nation e New York Area Bisexual Network.
Em 2005, o ano da sua morte, foi criado o “Brenda Howard Memorial Award”, pela organização PFLAG, um prémio anual que visa reconhecer pessoas que tenham contribuído pela visibilidade da comunidade Bissexual. Trata-se do primeiro prémio de uma grande organização LGBTI+ dos EUA a ter o nome de uma pessoa abertamente Bissexual.
Manifesto Bissexual
Anything That Moves: Beyond the Myths of Bisexuality
Este Manifesto Bissexual é um excerto da introdução do 1.º número da revista Bissexual “Anything That Moves: Beyond the Myths of Bisexuality”. As fontes variam o ano de publicação entre 1990 e 1991. Estamos perante uma declaração histórica sobre o que significa ser Bissexual para as pessoas da comunidade Bissexual que o escreveram e para toda a gente que se identifique com estas palavras. Tradução de Arquivo Sáfico
“Nós estamos cansades de ser analisades, definides e representades por pessoas que não nós mesmes, ou pior ainda, de não sermos considerades de todo. Estamos frustrades com o isolamento e invisibilidade impostos, que advém de nos dizerem e esperarem que temos de escolher ou uma identidade homossexual ou heterossexual.
A monossexualidade é um ditame heterossexista usado para oprimir homossexuais e para negar a validade da bissexualidade.
Bissexualidade é uma identidade completa, fluída. Não assumam que a bissexualidade é naturalmente binária ou poliamorosa, que nós temos “dois” lados ou que precisamos de nos envolver simultaneamente com dois géneros para nos sentirmos seres humanos completos. De facto, não assumam que existem apenas dois géneros. Não interpretem a nossa fluidez como confusão, irresponsabilidade ou inabilidade de assumir um compromisso. Não equiparem promiscuidade, infidelidade ou comportamentos sexuais inseguros com bissexualidade. Estas são características humanas que atravessam todas as orientações sexuais. Nada deve ser presumido sobre a sexualidade de ninguém, incluindo a vossa.
Nós estamos enfurecides com aqueles que se recusam a aceitar a nossa existência; os nossos problemas; as nossas contribuições; as nossas alianças; as nossas vozes. Está na altura de que a voz bissexual seja ouvida.”
Bialogar
Bialogar é um podcast de Visibilidade Bissexual criado e apresentado por Alexandre (ele/dele) e Sofia (ela/dela), com o objetivo de contribuir para a visibilidade Bissexual em Portugal.
A ideia de criar o podcast surgiu algures em Abril/Maio de 2024, mas acabou por se concretizar apenas a 11/Outubro/2024 (Dia do Comming Out/Saída do Armário), aquando do lançamento do primeiro episódio.
A 1.ª Temporada terminou a 11/Julho/2025, contando com 10 episódios e somando um total (a 30/Agosto/2025) de 10091 audições e com um alcance total de restantes conteúdos a rondar as 113mil visualizações. Conta atualmente com 245 subscritores no YouTube, 193 no Spotify e 1205 seguidores no Instagram.
Sobre o Podcast:
Pretendemos ser um ponto de encontro, reflexão, partilha, entreajuda e apoio para todas as pessoas da comunidade Bissexual+ e da comunidade LGBTQIA+, pessoas em questionamento, pessoas aliadas e coletivos, no que toca a questões sobre Bissexualidade, numa perspetiva de interseccionalidade com toda a comunidade LGBTQIA+, feminismo e sociedade em geral.
Centramo-nos em valores feministas, de igualdade, equidade e respeito pelas pessoas e Direitos Humanos, e na defesa dos direitos LGBTQIA+.
Podes saber mais sobre o podcast clicando aqui!
Sobre quem criou o podcast


Alexandre e Sofia, Lisboa, 25/04/2025
Alexandre (ele/dele)
Gosta de: jardinagem 🌱, trekking, urbex, fotografia 📷, anime, comida 😋, Senhor dos Anéis, Hunter x Hunter, Heartstopper, Murder She Wrote, voluntariado, história LGBTQIA+, viajar, ir a festas e eventos LGBT+.
Sofia (ela/dela)
Gosta de: cor vermelha, livros 📚, filmes 📽, fotografia 📷, história LGBTQIA+, voluntariado, fazer tertúlias e quizzes sobre pessoas e personagens LGBTQIA+, investigação para o blog Arquivo Sáfico e de ir às festas de karaoke do Centro LGBTI+, embora não cante.
Sobre o Nome e Logótipo:
O nome surgiu numa conversa entre o Alexandre, a Sofia e um amigo comum, no Centro LGBTI+ de Lisboa, em que discutiam possibilidades de nomes, até chegar à palavra “Biálogo” e depois a “Bialogar”, fazendo o nome um trocadilho com as palavras “Bi” (de Bissexual) e “Dialogar”.
O logótipo surgiu dum ideia dos criadores do podcast, com um esboço inicial de dois balões com a palavra “Bialogar” e as cores da bandeira Bissexual. Foi depois desenhado por Francisco Rodrigues (ele/dele | artista Queer e amigo do Alexandre), tendo passado por vários esboços até chegar às 2 versões que foram adotadas como símbolos de Bialogar.
Podes saber mais sobre o Francisco no Instagram: @francisco_sr.art
Visita-nos em: bialogar.pt


